Depois
de escrever ontem sobre incorporar o conceito de simplificar como
estilo de vida, fui procurar alguns significados relacionados com a
palavra simples. Encontrei isto:
Simplificar: Tornar mais fácil de compreender, de fazer ou de viver; tornar mais simples.
Simplificação: acção ou resultado de simplificar; acto ou efeito de tornar menos complexo ou menos complicado.
Simplista: Que simplifica. Pessoa que tende a tomar as coisas pelo seu lado mais simples.
Poderá parecer um paradoxo mas sei que algumas coisas vão ser muito complicadas de
simplificar. Simplificar uma divisão poderá ser fácil ou pelo menos
fácil de perceber como lá chegar. Todos nós sabemos o que é uma divisão
organizada, conseguimos fechar os olhos e imaginá-la, sabemos o que
temos de fazer para tornar um quarto desorganizado num espaço mais
limpo, mais simples.
O meu verdadeiro desafio vai ser simplificar o meu pensamento.
Nunca vos contei aquilo que se segue, aliás, ao longo da minha vida, partilhei-o com pouca gente...
Eu
“sofro” de uma perturbação de ansiedade conhecida como distúrbio de
pânico. Tudo começou quando tinha 13 anos e foi complicando-se até à
situação em que me encontro agora: não saio sozinha de casa para “longe”
e, para mim, “longe” significa dar uma volta ao quarteirão. Quando era
mais nova pensei que estava a ficar louca, não percebia o que me estava a
acontecer e pensei que se contasse a “verdade” iriam internar-me num
hospício. Tentava então esconder tudo o que sentia e fui alimentando um
terror de ser “descoberta”. O meu maior medo era ficar sem a minha
família, sem os meus amigos e não poder estudar mais.
Olhando
para trás sei que o melhor que podia ter-me acontecido era precisamente
ser “descoberta”. Assim talvez me explicassem o que estava a acontecer
comigo e que a solução para o meu problema não era nada de tão
extremista como eu temia. Para além disso, talvez se tivesse tido um
apoio adequado desde cedo talvez o problema não se tivesse complicado
tanto.
À
medida que fui deixando de conseguir fazer coisas, fui perdendo a
confiança em mim mesma. Por sua vez, essa perda de confiança fez-me
recuar ainda mais e este ciclo foi sendo auto-alimentado.
Mas, mesmo assim, ao longo do tempo, já estive melhor (e nem quero pensar nos momentos em que já estive pior). Estive melhor quando fiz um esforço para ir saindo sozinha de casa, quando praticava desporto de forma regular (yoga e karate), quando me alimentava melhor e quando me focava nas coisas positivas. Entretanto já percebi que tomar esses bons momentos como certos e “relaxar” em algumas coisas é um dos maiores erros que posso cometer.
Mas, mesmo assim, ao longo do tempo, já estive melhor (e nem quero pensar nos momentos em que já estive pior). Estive melhor quando fiz um esforço para ir saindo sozinha de casa, quando praticava desporto de forma regular (yoga e karate), quando me alimentava melhor e quando me focava nas coisas positivas. Entretanto já percebi que tomar esses bons momentos como certos e “relaxar” em algumas coisas é um dos maiores erros que posso cometer.
Partilhado
tudo isto (e que peso que me saiu de cima!) talvez vos faça mais
sentido quando digo que tenho como objectivo tornar-me positiva e
acreditar em mim, em paralelo com simplificar a vida.
Sei
que só assim vou conseguir! (e para perceberem a complicação em que isto
se tornou na minha mente, neste preciso momento estou com medo que me
achem maluca e que fujam daqui. Mas eu quero muito que desta vez
seja diferente e, apesar dos meus medos, decidi arriscar e partilhar
aquilo que sinto. Para vocês e para todos os que me conhecem pessoalmente e que entretanto me descubram aqui quando a entrevista for publicada no JN... Já nem consigo contar pelos dedos das mãos as vezes que puxei a gola da minha camisola para me esconder literalmente).
