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EM: Um Ano Após o Diagnóstico

O que escrevo aqui, hoje, diria ao meu Eu de há um ano atrás, se pudesse dar-lhe algum conhecimento do futuro que irá enfrentar... Apesar de ser dedicado a alguém com uma doença específica, a Esclerose Múltipla (EM), acho que a mensagem que escrevo é algo transversal a todos os que enfrentam um diagnóstico (não necessariamente de uma doença neurodegenerativa ou crónica, sequer) e daí, partilhá-la aqui convosco.
Se fores familiar ou amigo próximo de alguém com uma doença, aconselho-te também a sua leitura.

Mensagem para Ti:


1 - A dor crónica causa habituação e isto quer dizer que, aos poucos, podes deixar de "sentir" dor e, por isso, não a transmitires a ninguém, incluindo o teu médico. Se viveres acompanhada, transmite esta informação para que alguém esteja atento a pequenos sinais.
Esta foi uma conclusão a que cheguei quando comecei a tomar medicamentos para dores neuropáticas pois, ao tomá-los, apercebi-me que vivia com dores diariamente, tão intensas que limitavam muito o meu dia-a-dia e o meu estado emocional.

2 - A aceitação de um diagnóstico passa por várias fases. Quando achares que estás a aceitar tudo bastante bem, ainda estás na fase de choque. Depois, quando vieres a ter um tempo mais desafogado (por exemplo, as férias do Verão), irás cair em ti e, provavelmente, passarás por uma depressão. Tem calma! Essa fase também há-de passar mas, mais uma vez, pede ajuda! Talvez também passes por uma fase em que, quando te apercebes que a doença traz algumas limitações, passa a ser justificação para nem sequer tentares. A fase do "Calimero" também há-de passar. Vais ficar farta de sentir pena de ti própria! Aos poucos surgem os pensamentos começados com "Se calhar, até consigo..." e o mundo volta a ter alguma cor.

3 - Não procures informação sobre a doença para além daquela que o médico especialista te der. A doença manifesta-se de forma diferente, tem diversos sintomas e diferentes tipos de progressão. Não vais encontrar a explicação que justifique a razão pela qual a desenvolveste, nem conforto no negativismo de muitos que a têm, além de que poderão estar a passar por dificuldades que não serão, necessariamente, as mesmas que tu vais encontrar.

4 - Se for possível, encontra-te com alguém que tenha a mesma doença que tu e que esteja ativa. Parece contraditório com o que te disse atrás mas este encontro não servirá para discutir pormenores da doença mas sim para veres, com os teus olhos, que é possível ter uma vida pessoal, social e profissional, quando já te convenceste de que tinhas encontrado no diagnóstico o teu fim.

5 - Sai à rua e apanha sol.

6 - Passa mais tempo com a família e os teus amigos próximos. Com os que desejam o teu bem. Afasta-te de quem te transmite energias negativas. Protege-te de situações que te causam mau-estar, ansiedade, etc.

7 - Vive um dia de cada vez. Nem tudo o que temes, vai acontecer. Respira fundo.

8 - Faz meditação diária, mesmo que sejam apenas 10 minutos. Vais encontrar paz no turbilhão de emoções pelo qual estás a passar.

9 - Ocupa o tempo livre com atividades que gostas: ouvir música, ler, ver séries ou filmes, jogos de tabuleiro, jardinagem, pintura e escrita. Evita ficar sentada no sofá a pensar no que te aconteceu e no que poderá vir a ser o teu futuro com a doença.

10 - Agora tens medo de ficar numa cadeira de rodas e não tens força nas pernas mas, acredita em mim, passado um ano vais conseguir caminhar bem rápido e até correr uns minutos!


Acima de tudo, Não Desistas



Podes também ler a minha contribuição no artigo "Ter Esclerose Múltipla não é o Fim", no site Delas.

Mindfulness: Regista os Teus Melhores Momentos

Mindfulness tem as suas raízes na meditação budista e refere-se à Atenção ou Consciência Plena.
Pode ser usado de forma terapêutica para tratar dores crónicas, ansiedade ou depressão e, apesar de ser preciso treinar a nossa mente para conseguirmos desligar-nos de todas as preocupações do dia-a-dia e focar apenas no momento presente, há exercícios bem simples que promovem esse bem-estar.

Um dos exercícios interessantes associados ao Mindfulness é manter um registo diário sobre o melhor momento do dia. Não tem de ser nada complexo, pode ser apenas um pequeno momento. Por exemplo, quando nos encontramos com uma amiga para tomar café ou quando nos apercebemos de árvores ou flores com uma cor diferente, enquanto caminhamos na rua. Ou quando vemos uma criança a brincar ou um bebe a sorrir. Quando saboreamos uma refeição em vez de comê-la à pressa ou quando lemos mais umas páginas de um livro cativante.

[Copyright: Sara Duarte]


Nem sempre é fácil, às vezes os tempos não são tão bons. Todos temos os nossos problemas, sejam pessoais, sejam profissionais, mas, se procurarmos bem, conseguimos encontrar um momento bonito, um momento feliz.

São estes pequenos momentos que se acumulam na nossa vida e que, ao serem gravados no nosso diário e na nossa mente, constroem uma sensação de bem-estar e felicidade.

Qual foi o melhor momento do teu dia?

Micro-Desafio: Água Morna com Limão (editado)

Beber água morna com limão em jejum é uma prática ayurvédica. Este ritual promove a limpeza das toxinas que se acumulam no organismo, estimula a digestão e a absorção dos nutrientes, ajudando também a equilibrar o trânsito intestinal. 
Desde que comecei com esta prática, deixei de sentir o estômago pesado quando como alguma coisa com gluten (bastavam apenas umas bolachas para ficar com a barriga inchada).
Beber água morna com limão em jejum pode ainda fortalecer o sistema imunitário e ajudar a perder peso.

O ideal seria tomar uma chávena de água morna com sumo de meio limão mas, quando experimentei, senti que era muito agressivo para o meu estômago. Comecei, então, com poucas gotas de sumo de limão até encontrar uma concentração que gostasse. Comecei com 10 gotas, depois 15 e, agora, corto uma rodela fina de limão. Faço, basicamente, um carioca, assim que acordo.

[Copyright: Sara Duarte]

Água Morna com Limão
  • Água
  • Meio limão
  • mel (opcional)
  • canela (opcional)
  • gengibre ralado na hora (opcional)
  • sal dos himalaias ou sal gema (opcional)

Experimenta tu também!

Sê Feliz - Estabelece uma Rotina

Neste regresso das férias da Páscoa, trago outro segredo para se Ser Feliz, o 20º: Estabelecer uma Rotina. O autor vai mais longe, define-a como sendo doméstica. Eu acho que podemos encontrar outro tipo de rotinas que, também, influenciam a nossa felicidade!

A teoria do autor é de que a desarrumação da nossa casa tem um grande impacto no nosso bem-estar e que arranjando uma rotina doméstica para colmatar essa nossa fraqueza - a de ir adiando as tarefas que nos custam tanto a fazer -  encontraremos um processo metódico, uma ordem pela qual as tarefas deverão ser feitas. Assim, a casa ficará arrumada e a nossa consciência em paz. Se esta for um das razões pela qual te sentes, por vezes, infeliz, aconselho o site da FlyLady. Para quem não conhece, este site é dedicado, unicamente, à organização e à limpeza da casa. Pessoalmente, acho-o um pouco exagerado e tem muita publicidade aos produtos comercializados mas, também, tem coisas muito boas! Aquilo que acho mais interessante, e proveitoso, é a lista com "a tarefa do dia" que recebo todos os domingos, dedicada à semana seguinte. Cada semana é focada numa ou mais divisões da casa e, tenho sentido que, fazendo essas pequenas tarefas que indicam, a casa mantém-se mais organizada. Hoje, por exemplo, a tarefa do dia era destralhar e limpar as mesas de cabeceira.

Mas, falando de rotinas no geral... As rotinas, sejam de que tipo for, ajudam-nos a ganhar tempo e a relaxar... Pessoalmente, gosto de ficar na cama até ao último minuto possível. Nas férias, acordo com as galinhas e aproveito todo o sol possível - vá-se lá perceber!

[@ Today Show]

Podemos ter uma rotina criada de forma a facilitar as saídas de manhã e permitir pôr o despertador a tocar mais tarde. Coisas simples como: 
  • Escolher a roupa do dia seguinte e deixá-la preparada e pronta a vestir
  • Preparar a mala (e ensinar os filhos a deixarem as mochilas prontas) para o dia seguinte
  • Lavar o cabelo na noite anterior
  • Preparar o almoço ou o lanche
  • Imprimir documentos necessários
  • Deixar tudo que é necessário levar, no mesmo sítio
... podem ajudar-nos a ganhar mais uns minutos pela manhã!

Há quem prefira, no entanto, acordar mais cedo e fazer tudo com calma. O Luís, por exemplo, não gosta de sentir a pressão de ter de se arranjar para sair, assim que acorda. Ele gosta de ver as notícias de manhã, ver as novidades nos canais de Youtube que segue e tomar o pequeno-almoço com calma. Há quem goste, também, de praticar desporto antes de ir trabalhar ou mesmo de meditar.

Mas, o mais importante - e a mensagem que quero deixar - é encontrarmos uma rotina à nossa medida, que satisfaça as nossas necessidades e que nos faça mais felizes.

E tu, tens alguma rotina que te ajude no dia-a-dia?

Sê Feliz - Partilha com os Outros

Olá! Tudo bem convosco?

Hoje trago-vos o 14º Segredo para se ser Feliz, segundo David Niven. Este segredo fala-nos da importância da partilha.

@ Pinterest
Na minha relação com o Luís - e já lá vão quase 7 anos - partilhar foi uma das coisas mais importantes que aprendi. Sempre foi fácil partilhar coisas boas mas as más guardava-as para mim... não queria chatear os amigos com as dificuldades, era assim que eu me sentia!

Pode parecer inconsistente com o que faço aqui, na blogosfera, mas aqui é mais fácil partilhar o que sinto porque ler aquilo que escrevo será sempre opcional. Quando converso com um amigo - e acreditando que ele não vai fugir a meio da conversa - não quero forçar um ambiente chato ou desconfortável, prefiro ser sempre eu a ouvir. Só que isso traz as suas consequências, quando não se partilha, vai surgindo uma sensação de solidão, de isolamento e de incompreensão.
 
Com o Luís aprendi a partilhar as coisas más. Primeiro, um pouco mais forçada pois ele percebia, pela minha expressão, que eu não estava bem e não desistia enquanto não falasse. Depois, ao perceber que ele se preocupava realmente, que me ouvia e que tentava ajudar-me, fui-me apercebendo que isso apenas, o partilhar, ajudava-me muito. Sentia-me mais leve e sentia-me acompanhada.
 
Depois do diagnóstico da Esclerose Múltipla, falei com alguns amigos que também sofrem de doenças crónicas sobre como a aceitaram, li testemunhos de pessoas com a mesma doença e, ainda ontem, acabei de ler um livro do actor Michael J. Fox, Always Looking Up, onde fala do seu diagnóstico de Parkinson e de como arranjou forças para lutar contra a doença - acabou mesmo por criar uma Fundação incrível. Todos acabam por falar de um pilar incontornável, na força que a família e os amigos dão. E, aos poucos, também eu fui partilhando aquilo que se passava comigo, primeiro com os meus pais e irmão, depois com a mãe do Luís e os meus amigos mais próximos. O Luís esteve sempre comigo desde o primeiro dia.
 
E é esta mensagem que quero deixar convosco: se estiverem a passar um momento menos bom, partilhem. Talvez o amigo que vos vá ouvir, também já tenha passado por isso e compreenda o vosso problema até melhor do que poderão pensar. Talvez daí surjam partilhas importantes ou até soluções!
A amizade também é isso, estarmos lá para apoiar nos momentos maus. Se quem ouve, fica, aí sim, é um verdadeiro amigo.

Sê Feliz - Aceita-te Incondicionalmente

David Niven, psicólogo e investigador de ciências sociais, é o autor de "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes", o livro que já mencionei no post anterior. Neste, o autor defende que a felicidade pode ser muito influenciada pela nossa atitude de vida e não depende do acaso. Está nas nossas mãos mudarmos, pouco a pouco, alguns dos nossos hábitos, para nos sentirmos melhor.

@ Linked In

Parecem haver dois tipos de pessoas, quanto à forma como encaram um insucesso:
  • As que aceitam os insucessos, tratando-os como incidentes isolados, e que não acreditam que as suas capacidades estejam em causa
  • E as que ampliam o fracasso, tomam-no como uma representação de si próprias e usam-no para prever o resultado de futuros acontecimentos na sua vida.
Eu pertenço claramente ao segundo grupo. Passados quase vinte anos a lidar/sofrer com ataques de ansiedade, revejo-me logo na descrição. Sinto-me ansiosa num local, por vezes chego a ter um ataque de pânico e torno essa experiência como certa. Sempre que regressar a esse local, irei sofrer tanto ou pior. E não faço esta associação apenas com situações ligadas a ansiedade, eu sou assim, espero sempre o pior! Provavelmente, prefiro esperar o pior e ter uma boa surpresa do que esperar o melhor e ter uma grande desilusão... Mas, de qualquer forma, sei que ao esperar o pior, limito-me muito.

Com a EM (esclerose múltipla) tem sido diferente: não fiquei chocada com o diagnóstico, além duma crise de choro nos primeiros 10 minutos, tenho esperança no tratamento que estou a fazer, acredito que não vou ter efeitos secundários tão graves como os que tenho lido e que, de alguma forma, a vida há-de continuar sempre em frente. Claro que, às vezes, tenho momentos em que fico insegura, especialmente depois de ler testemunhos mais negativos na internet e não me esqueço do que esta doença poderá trazer no futuro, existe a possibilidade de ter de recorrer a uma cadeira de rodas, estou ciente de que isto é só o início. Mas, mesmo assim, ao contrário do que seria de esperar, não estou focada em tudo o que poderá acontecer de mal! Agora só falta conseguir contagiar o resto do meu ser com esta energia positiva!

E tu, aceitas os teus insucessos e... bola para a frente?

Sê Feliz - Desliga a Televisão

Há uns anos atrás tinha o hábito de ligar a televisão enquanto tomava o pequeno-almoço, via as notícias logo de manhã e sentia-me bem informada. Aos poucos comecei a sentir-me deprimida mas claro que não relacionei isso com a televisão.
Numa conversa no laboratório da faculdade, calhou o professor contar que tinha deixado de ver as notícias na televisão, preferia lê-las. Ver as notícias deixavam-no deprimido... E eu comecei por aí, deixei de ver as notícias e passei a lê-las nos jornais gratuitos que distribuem pela manhã. Depois terminou a telenovela que eu seguia (Babilónia) e não encontrei nenhuma que gostasse... Aos poucos deixei de ver televisão...

Tenho um livro cá em casa que se chama "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes - o que os cientistas descobriram e o aconselham a fazer". O 7º segredo é Desligar a Televisão. Pedem ao leitor uma reflexão enquanto vê um programa na televisão, qualquer coisa como: Se este programa não existisse, pediria para que fosse criado?

@Watching the Wasteland
Não é que não veja nada na televisão mas agora prefiro gravar o que me interessa - filmes, séries e documentários. As vantagens são várias:
  1. Há vida além da televisão! Não há ir para a cama tarde porque o programa acaba às tantas ou ficar uma tarde de fim-de-semana em casa porque quero ver um filme que vai passar. A televisão não dita o meu dia-a-dia.
  2. Vejo apenas o que me apetece e quando quero. Às vezes, apetece-me ver uma série, mas não quero ver um só episódio e esperar pela semana seguinte para ver o próximo... Posso ver dois ou três de seguida. Outras vezes não estou com disposição para ver filmes, ficam para depois, vão estar disponíveis na mesma.
  3. Não perco tempo com os intervalos. Já repararam bem na duração dos intervalos, especialmente quando passa um filme?? Chegam a ser 15-20 minutos... Toca a passar à frente e poupa-se também na publicidade.
  4. E também não perco aquilo que quero ver. Seja porque preciso de interromper a visualização ou porque me esqueci de gravar (o meu pacote permite recuar 7 dias, além de que as séries são gravadas automaticamente pelo que nunca perco um episódio).
  5. Vejo menos televisão. Com tudo gravado, já não ligo a televisão só porque sim. Apesar de seguir algumas séries, a verdade é que nunca gastei tão pouco tempo com a televisão. O tal livro diz que ver televisão a mais pode triplicar o consumo de bens materiais e reduzir a satisfação pessoal em 5% por cada hora passada à frente do ecrã!

Ligo a televisão às sete da manhã. Vejo as notícias. As capas dos jornais. Desligo a televisão e oiço música todo o dia (...) A minha capacidade de suportar a realidade, aquela que me chega através das imagens de comentários seguidos de mais comentários, atingiu o limite.
O que é agora deixa de ser logo à tarde e amanhã já é outra coisa.
(...) vivemos num momento em que é quase impossível ter silêncio, ter espaço sequer para digerir aquilo que nos chega.

Luísa Castel-Branco em Nos Teus Olhos Vejo o Mundo
 
E tu, quantas horas de televisão vês por dia?

Em Busca de Paz

Talvez seja muito cedo para dizer que aprendi alguma coisa com a EM (esclerose múltipla) mas o susto associado ao primeiro surto foi tão grande que houve mudanças imediatas no meu dia-a-dia, umas conscientes, outras foram apenas acontecendo.

A única pessoa que conheci com EM foi a minha avó paterna. Pouco (ou talvez nada...) se sabia então sobre a doença (penso que não recebeu sequer qualquer "tratamento") e as imagens com que fiquei desta doença eram bastante más. Não sabia o que esperar. Sabia em que consistia a doença porque tinha bastantes noções de como os neurónios funcionam (Fisiologia foi uma das minhas cadeiras preferidas na licenciatura em Bioquímica) mas não sabia quão progressiva era a doença. Não sabia se ia ficar numa cadeira de rodas ou de cama em pouco tempo... Mas também não conseguia ficar na ignorância. 

Ainda não tinha sido feito o diagnóstico, havia apenas uma certeza interior minha, quando fui a uma livraria procurar por livros sobre EM. Não encontrei nada, apenas um de Bernardo Pinto Coelho, que sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA). Li-o num ápice e, apesar da doença que o Bernardo tem, sentia-me preenchida ao ler o seu testemunho. O Bernardo parece ser alguém muito optimista, cheio de vida e amor para dar... Parecia que aquelas palavras tinham sido escritas para me reconfortar. E, aos poucos, fui procurando apenas isso... essa paz.

Eu sempre fui um pouco inconsequente, sem filtro, muito espontânea mas, com esta experiência e sem reparar, construí um muro à minha volta e só deixo entrar aquilo que eu quero conscientemente. Comecei a dar valor à minha vida, à minha saúde, de uma forma que nunca tinha sentido antes. Agora sinto que me protejo, tento cercar-me de amor, de pessoas e experiências positivas. Oiço o meu corpo e respeito-me. Às vezes são coisas muito simples... Vou dar-vos um exemplo: Quando ingressei na Faculdade de Farmácia obtive algumas equivalências do 1º ao 4º ano, o que faz com que tenha aulas de vários anos. Os alunos do 1ºano são sempre barulhentos, vão a todas as aulas apesar de não haver faltas, conversar sobre tudo excepto o que se passa na aula (estou no meu 3º curso e a história repete-se...) e eu estou numa fase diferente da vida. Agora quero sentar-me à frente, quero entender a matéria, quero ouvir o professor e sinto-me grata por ter essa oportunidade. Durante este semestre, já aconteceu, por duas vezes, ter um grupo falador ao meu lado, esforço-me para ouvir o professor mas eles conseguem sobrepor a voz. Antes ficava frustrada mas aguentava a manhã ou a tarde assim. Agora, pego nas minhas coisas, levanto-me e mudo-me para um lugar que aparenta ser calmo. Agora, em vez de uma manhã frustrada, protejo-me daquilo que me chateia e fico em paz com a minha decisão.

Sempre que tenho opção, elimino o stress que outras pessoas ou situações me provocam.

BE Unique


E o que mudou no meu dia-a-dia?
  • Oiço mais música
  • Leio livros que têm a esperança, a força e o amor como mensagem principal (reli o Diário de Anne Frank - é impressionante como, no meio da tragédia, existem pessoas que transcendem o que lhes acontece)
  • Converso diariamente com amigos e familiares - que me têm apoiado imenso, além do meu companheiro, claro!
  • Tento distrair-me com jogos de tabuleiro ou de consola
  • Faço caminhadas com os meus cães. Infelizmente muito curtas porque canso-me muito facilmente, um quarteirão parece uma maratona!
  • Vejo menos televisão à noite e deito-me mais cedo.
  • Tenho uma alimentação mais saudável e tomo, diariamente, óleo de fígado de bacalhau (o meu nível de vitamina D era baixíssimo, característico da EM..)
  • Apanho sol sempre que é possível.
  • Vivo o presente e não faço grandes planos para o futuro - já não dou por certo estar cá amanhã...

 Já viveste alguma experiência que tenha provocado uma viragem de 180º? Que te tenha feito dar mais valor ao momento presente?

Outono: 7 Coisas para Fazer

Adoro o Outono. Em férias, não há nada melhor que o sol, a esplanada e a praia para relaxar mas, na cidade, não gosto de dias tão quentes. Quase morro de calor quando passeio os cães e sair de casa nas horas mais quentes é um suplício.



No início do Outono, assim como no início da Primavera, gosto de fazer algumas mudanças na casa. Começo sempre por guardar os sapatos da estação e seleciono a roupa antes de a guardar para o ano seguinte, fica a que está em condições e com que ainda me identifico e o resto, consoante o estado, é doado ou segue para o lixo.

A maior alteração na decoração da casa, acontece no quarto de dormir e na sala. No quarto, coloco logo um edredom na cama (há cama mais rápida de fazer??); na sala, mudo os tecidos que cobrem os sofás para cores mais sóbrias (perto do natal, mudo para uns que tenho em vermelho, muito giros, comprados no Continente).

Mas, os fins de semana de chuva pedem mesmo atividades caseiras. Ficam algumas ideias para este Outono:
  1. Ler bons romances ou bons policiais.
  2. Ver filmes nomeados para Oscar e beber chá ou comer pipocas.
  3. Fazer trabalhos manuais, para a casa ou para oferecer no Natal.
  4. Decoração da casa - trocar roupa para a nova estação, colocar edredons ou cobertores na cama, ter mantas nas divisões mais utilizadas.
  5. Usar o forno para cozinhar pratos que só nos dias frios são verdadeiramente apreciados.
  6. Comer castanhas numa tarde com família ou amigos.
  7. Fazer pequenas viagens e Namorar muito.

E tu, que gostas de fazer nos dias de frios ou de chuva?

Para uma Vida Mais Saudável

O blogue está em mudança, alguns dos botões ainda não funcionam mas já dá para ter uma ideia daquilo que quero fazer: incluir novos temas, melhorar as fotos, escrever mais frequentemente e, claro, mais organização.


Gosto que as coisas evoluam ao longo do tempo e tenho feito um esforço para que essa evolução aconteça também na minha vida. Parando e olhando para trás, orgulho-me de algumas coisas que conquistei:
  1. Deixei de fumar. Depois de parar e recomeçar a fumar algumas vezes, há 5 anos que não toco num cigarro!
  2. Deixei de ser consumista. Prefiro a qualidade à quantidade. Prefiro espaços com poucas coisas e organizados. Centro comercial é o último sítio onde me podem encontrar num fim-de-semana.
  3. Sou mais tolerante. A minha tela tem agora muitos tons de cinzento, não é tudo branco ou preto, sim ou não.
  4. Sou mais responsável com a minha saúde. Tenho mais cuidado com a alimentação e deixei de ter excesso de peso.
  5. Dediquei mais tempo aos outros através de voluntariado.
  6. Adoptei dois cães abandonados na rua. São os animais mais fofos do mundo!
  7. Pus as expectativas dos outros de parte e licenciei-me na área que gosto. Neste último ano, complementei os meus estudos com um curso de Nutrição e Dietética.
  8. Estudei um pouco de programação .html e .css e aprendi a trabalhar com o Photoshop para poder editar o blogue ao meu gosto.

Mas, muitas outras coisas ainda estão por conquistar:
  1. Quero dedicar mais tempo à cozinha, criando receitas saudáveis.
  2. Quero dedicar mais tempo à fotografia.
  3. Quero vencer mais fobias e controlar os ataques de pânico.
  4. Quero ter uma vida (ainda) mais saudável. Agora que tenho o peso ideal para a minha altura, quero ficar em forma.
  5. Quero entrar no mercado de trabalho e não fazer apenas part-time. Estou há um ano a candidatar-me a bolsas de investigação e até hoje fui chamada apenas para duas entrevistas... Ontem foi uma delas. Será que é desta..?
  6. Quero namorar mais. Sair apenas com o L, para que a nossa atenção não se foque apenas nos cães aos saltos.
  7. Quero terminar a decoração da casa (mas, para isso, precisava mesmo de um trabalho...).
  8. Quero tratar mais de mim e menos dos outros, sem que isso me faça sentir egoísta.
  9. Quero que blogue seja uma reflexão do estilo de vida saudável que vou tentando alcançar e, com isso, motivar todos os que por aqui passam a tornar as suas vidas, também, mais saudáveis. Será que consigo??

E tu, que mudanças poderias fazer para viver uma vida mais saudável?

As Minhas 6 Atividades Preferidas para Relaxar


[Unsplash]

  • Yoga/Meditar/Mindfulness - Comecei a praticar há cerca de 10 anos e foi a ferramenta principal para atenuar os ataques de pânico. Praticava yoga 2 vezes por semana no ginásio e dedicava algum tempo diário para meditar em casa. Basta parar uns 10 minutos, fechar os olhos, concentrar-me no agora - mindfulness - e respirar profundamente para sentir-me menos ansiosa. Atualmente, tenho seguido os vídeos de yoga da Erin Motz.

  • Caminhar a Passo Rápido/Correr - Desde que adoptei o Yoshi comecei a caminhar alguns quilómetros diariamente. Entretanto, há cerca de 2 meses, adoptei uma cadela que encontrei na rua, a Akira, e, como é mais pequenita e leve, torna-se mais fácil de controlar enquanto (finjo que) corro. Quando chego a casa e descanso da (pseudo) corrida, as endorfinas asseguram uma longa sensação de bem-estar.

    [Akira e Yoshi]

    • Desenhar/Pintar - Adoro desenhar e pintar e, durante algum tempo, até frequentei um curso de pintura. De tempos a tempos faço uma pausa mas, há poucos dias atrás, encontrei um livro de mandalas para pintar e voltei a dedicar-me à pintura. Enquanto pinto, tento focar-me apenas no desenho, na cor que escolhi e na ponta da caneta. Sendo uma pessoa ansiosa, este é um exercício desafiante mas, aos poucos, tenho conseguido aumentar o tempo em que me mantenho concentrada na pintura.

    [Pintado com canetas molin que foram oferecidas, pela minha mãe, há mais de 20 anos! Nostalgia...]

    • Ouvir Música Calma - A adopção da Akira veio destabilizar a vida cá em casa. A Akira e o Yoshi só têm olhos (e ouvidos) um para o outro e a brincadeira durava 24 horas por dia… Li alguns artigos sobre como relaxar cães (falta de exercício não era!) e experimentei colocar música de meditação para eles ouvirem. Tiro e queda. Para além de eu própria me sentir mais relaxada, não sei se por associar a música à pratica de yoga e meditação, se apenas pelo ritmo calmo, os cães em pouco tempo estão a dormir! Quando os deixo em casa, ficam a ouvir esta música...



    • Olhar e Sentir o Mar - Com os cães, poucas são as praias que posso frequentar entre as 9H e as 19H. Fora deste horário, as praias costumam ter pouca gente, os cães podem correr e fazer buracos à vontade, enquanto eu sento-me à beira-mar, sinto a areia e a água nos pés, relaxo, olho para o mar e oiço o barulho das ondas.
    •  
    • Ler e Beber Chá - Quando leio, consigo abstrair-me das questões que me deixam ansiosa no dia-a-dia. Se o livro for realmente bom, fico completamente embrenhada na leitura e esqueço tudo o resto. No inverno, gosto de acompanhar a leitura com uma chávena de chá de ervas bem quente e reconfortante.


    E tu, que atividades preferes fazer para relaxar?

    Viver o Verão

    Esta é a lista de “trabalhos de casa” que um professor de Filosofia e Literatura, Cesare Catà, entregou aos seus alunos para realizarem nas suas férias de Verão.

    Achei-a tão inspiradora que decidi partilhá-la aqui contigo! Aqui deixo as 15 sugestões de Cesare Catà para viveres o Verão em plenitude...


      1. Pela manhã, caminha pela praia em total solidão, presta atenção ao reflexo do sol na água, pensa no que mais gostas na vida e sente-te feliz.
      2. Tenta usar todos os novos termos aprendidos este ano: quanto mais coisas dizes, mais coisas podes imaginar e quanto mais coisas podes imaginar, mais livre te sentirás.
      3. Lê tudo o que puder. Mas não porque tens que fazê-lo. Lê porque o verão inspira sonhos e aventuras e lendo te sentirás como as andorinhas a voar. Lê porque é a melhor forma de rebelião que tens (se quiseres uma sugestão de leitura, pergunta-me).
      4. Evita todas as coisas, situações e pessoas que te influenciam negativamente e te fazem sentir vazio: busca as situações desafiadoras e a boa companhia dos amigos que te enriquecem, que te entendem e que te apreciam pelo que és.
      5. Se te sentires triste ou com medo, não te preocupes: o verão, como todas as coisas maravilhosas, coloca a alma em tumulto. Tenta escrever um diário onde traduzas os teus sentimentos em palavras (em setembro, se te apetecer, leremos juntos).
      6. Dança sem vergonha. Na pista de dança ou em casa. O verão é uma dança e seria tolice não participares dela.
      7. Ao menos uma vez, vai assistir ao amanhecer de um novo dia. Permanece em silêncio e respira. Fecha os olhos e sente-te agradecido.
      8. Faz muito desporto.
      9. Se encontrares uma pessoa que te encante, diz-lhe com toda a sinceridade e graça que és capaz. Pouco importa se ele/ela vai perceber ou não. Se não perceber, é porque ele/ela não era o teu destino. Do contrário, o verão 2015 será a grande oportunidade de caminharem juntos (se isso der errado, volta ao passo 8).
      10. Sobre as anotações das nossas aulas: para cada autor e cada conceito, faz-te perguntas e reflete sobre o que desperta em ti.
      11. Sê alegre como o sol e indomável como o mar.
      12. Não digas palavras rudes e sê sempre educado e amável.
      13. Assiste a filmes com diálogos pungentes (preferencialmente em inglês) para melhorar as tuas habilidades linguísticas e a tua capacidade de sonhar. Não deixes que o filme se acabe com os créditos: revive-o enquanto dure o verão.
      14. Nos dias ensolarados ou nas noites quentes, sonha como pode e deve ser a tua vida. Enquanto dure o verão, reúne toda a força que necessites para não renunciar a isso que queres e faz todo o possível para perseguir este sonho.
      15. Sê bom.

        Um estilo de vida saudável, natural...

        Os passeios que tenho dado com o Yoshi têm tido algum impacto no meu dia-a-dia... 

        Passar mais tempo em contacto com a natureza tem-me feito recordar as férias que passava na quinta dos meus avós quando era miúda. Eram as minhas férias preferidas! Podia andar na "rua" o tempo que quisesse, comia fruta apanhada directamente da árvore e, sentada num muro com os meus primos, partia a casca de muitas amêndoas com pedras que encontrávamos pela terra. Perto da casa, o meu avô pôs três baloiços e lembro-me que tentava dar balanço até conseguir tocar com a ponta do pé numa folha da árvore mais próxima. À noite, fazia o meu avô prometer que me acordasse bem cedo para poder ir regar as árvores de fruta com ele.



        Na cidade é difícil ter este contacto com a natureza mas, mesmo assim, tenho um parque relativamente grande, perto de casa, onde passeio o Yoshi. Quantos mais passeios ia dando no parque, mais vontade tinha de regressar e, aos poucos, os passeios de meia hora transformaram-se em passeios de uma hora, e depois de duas horas...

        Nas férias sempre tive esse hábito também. Não escolho, em regra, cidades para visitar. Prefiro estar em contacto com a natureza, seja no campo ou na praia. Prefiro fazer caminhadas e olhar para o mar, é assim que me sinto bem, em paz.

        Na alimentação, também tenho feito algumas alterações. Tenho comido, cada vez mais, legumes e fruta e bebido água e infusões. Os alimentos processados que tenho comprado são, na maior parte dos casos, sem glúten (não sou celíaca mas tenho alguma intolerância ao glúten...). O leite de vaca meio gordo foi substituído pelo leite de vaca magro e, recentemente, pelo leite de arroz. E também já não compro cereais açúcarados para o pequeno-almoço. Desde que fiz, gradualmente, estas mudanças, tenho-me sentido mais "acordada", a barriga já não fica inchada depois das refeições (e já perdi 10 cm!), perdi algum peso e sinto-me muito mais saudável :)

        3 Razões para teres o teu Frasco da Gratidão

        [Copyright: Sara Duarte]

        Lembram-se do desafio “Frasco da Gratidão”? Há uma semana atrás abri, finalmente, todos os papelinhos que tinha no meu frasco de 2013!

        Sabem aquelas coisas que estamos constantemente a adiar? O Frasco da Gratidão é uma óptima ferramenta para deixarmos de ser um mero espectador das nossas vidas e passarmos a ter o papel principal, um papel activo. Qualquer que seja o objectivo que tenhamos adiado por falta de incentivo, cumprir os nossos desafios diários e escrever apenas umas frases sobre isso dá uma motivação extra para continuar, torna-se até viciante!
        E objectivo pode ser de qualquer tipo: aprender uma língua, correr uma maratona, parar de fumar, perder peso, tirar um curso, escrever um livro, reservar mais tempo para passar com os amigos e família, aprender a cozinhar, viajar, aprender a tocar um instrumento, etc.


        À medida que eu ia abrindo os papelinhos, fui redescobrindo imensos momentos e imensas coisas que me fazem sorrir. Fiquei grata por:

        > ter organizado o almoço anual de família com outros primos (este almoço inclui todas as famílias dos descendentes da minha bisavó, mãe do meu avô materno!).

        > ter feito novos amigos e ter reencontrado antigos.

        > ter tido boas notas quando pensava que não estava preparada para tal. E ter ido a essas datas de avaliação (geralmente só ia quando tinha mesmo a certeza que teria boa nota, tem sido um verdadeiro desafio quebrar essa mania).

        > conseguir almoçar em restaurantes cheios e com imenso barulho (para tal, é preciso ir e não deixar que a ansiedade me prenda em casa!).

        > o meu namorado continuar a surpreender-me passados 4 anos.

        > ter comprado mobília para a nova casa e ter tido a ajuda do meu pai e do meu namorado para montá-la.

        > poder comprar 3 livros num só dia.

        > ter conseguido ficar na fila do Continente sozinha numa tarde caótica no hipermercado (a ideia de ir para um sítio cheio de gente há uns anos atrás era suficiente para me deixar agoniada e trancada em casa)

        > ser finalista.

        > namorar o homem que eu amo.

        > ter atravessado a Ponte 25 de Abril várias vezes (era uma das minhas maiores fobias).


        Mas para ter motivos que me deixem grata é preciso trabalhar para eles! É preciso passar da teoria à prática! Para atravessar a ponte 25 de Abril tive de conduzir muitas vezes sobre outras. Para namorar o homem que eu amo, é preciso investir na relação. Para ser finalista e/ou ter boas notas é preciso trabalhar para isso. Para conseguir estar numa fila de supermercado sozinha, tive de aprender a lidar com a ansiedade quando estou sozinha, mesmo em sítios mais calmos, and so on!


        Resumindo, consigo pensar imediatamente em 3 razões para manter este hábito e para tu aderires também:
        • Faz-nos olhar para o lado positivo das coisas.
        • Dá-nos motivação e força para continuarmos a lutar pelos nossos objectivos.
        • Faz-nos acreditar, mesmo quando estamos mais descrentes.

        Eu já comecei a encher o meu Frasco da Gratidão de 2014!
        Não queres aderir também a este desafio?

        Preguiça vs Descrença

        Depois de escrever e pensar sobre o meu dia ideal pus-me a pensar numa outra questão intimamente ligada com a inicial: se sabemos aquilo que nos faz feliz, se sabemos o que gostaríamos de alterar na nossa vida e se, sempre que se aproxima um novo ano, fazemos uma lista de resoluções… por que razão continuam vários sonhos por concretizar? Várias resoluções por cumprir?

        Será que o ser humano é preguiçoso por defeito? Será que o ser humano tem prazer em procrastinar? Há um ano atrás talvez não pensasse muito nesta questão e respondesse que era, de facto, uma pessoa preguiçosa, daí adiar tanta coisa… adiava para o dia seguinte ou para a semana seguinte e, de repente, tinham passado vários meses, sem dar por isso.

        Mas, se sou uma pessoa proactiva como é que poderia, ao mesmo tempo, ser preguiçosa…?



        Hoje almocei com um grupo de amigos que já não via há algum tempo e entre eles estava uma amiga que emagreceu bastante e estava, agora, em forma. Quando a vi, fiquei imediatamente feliz por ela e irritada comigo própria… se eu não preciso de perder peso, se falta apenas ficar em forma para sentir-me bem, como é que, mais uma vez, tinha deixado passar tantos meses e continuava na mesma? (ok, na mesma não, porque tenho perdido peso de uma forma bastante regular desde Fevereiro deste ano mas, comparativamente com ela, eu não tinha feito nada!). Hoje percebi que isto não tinha nada a ver com preguiça… apenas com descrença.

        Agora sei que adio determinados objectivos por medo de falhar. É mais fácil ir adiando para amanhã do que vir a descobrir de que não sou capaz de concretizar algo que é importante para mim…

        Mas já Michael Jordan dizia...

        [Fonte: Fave Thing]


        E tu? Que razão te leva a adiar, indefinidamente, aquilo que te faz feliz?

        O Meu Dia Ideal

        Quando li o post Imagina o dia ideal no blogue The Busy Woman and the Stripy Cat também eu comecei a fazer esse exercício de reflexão...

        Será que o meu dia-a-dia se aproxima daquilo que eu desejo fazer? Será que terei muitos hábitos por alterar? Reflecti um pouco sobre isto e imaginei o meu dia ideal da seguinte forma:

        [Fonte: Wake Upon Time]
        1. Acordo com o nascer do sol. Faço 10 minutos de yoga e 10 minutos de meditação.
        2. Tomo o pequeno-almoço devagar. Desde que alterei o meu pequeno-almoço tenho mais prazer em preparar esta refeição. A taça de leite com cereais foi substituída por uma caneca de chá de ervas ou de frutas, umas torradas com queijo e/ou doce e, por vezes, uma peça de fruta. Assim que estrear o forno, quero também fazer bolos e bolachas caseiras para o pequeno-almoço e lanche.
        3. Escrevo e faço algumas pesquisas para o blogue. Aproveito também para responder a comentários, responder a e-mails, etc.
          [Fonte: The Guardian]
        4. Saio de casa sem pressas e vou de bicicleta até à faculdade. Já pus o carro definitivamente de parte durante a semana, fiz o passe e apanho o autocarro que me deixa a 5 minutos da faculdade. Mas ainda queria chegar mais longe! A única coisa que me tem feito ponderar em andar de bicicleta na cidade é o trânsito caótico em Lisboa e até já assisti a alguns acidentes com bicicletas… Mas talvez se começar por usar a bicicleta ao fim-de-semana consiga ganhar coragem!
        5. Regresso a casa e dedico 30 a 45 minutos às tarefas de manutenção. Vocês sabem, retirar a loiça da máquina, pôr roupa a lavar, preparar o jantar, fazer a cama de lavado, aspirar, limpar o pó, tudo aquilo que precisar de ser feito nesse dia.
        6. Corro uns 30 minutos. Apesar de ter sido o meu pesadelo nas aulas de educação física aprendi, entretanto, a correr e a gostar de correr. O meu namorado ensinou-me a respirar durante a corrida e desde então consigo correr durante muito mais tempo – antes parava não porque ficasse cansada ou com dores de pernas (isso nunca acontecia) mas porque precisava de recuperar o fôlego passados poucos minutos de corrida, cheguei mesmo a pensar que tinha algum problema respiratório.
        7. Faço um jantar leve. Aproveito para estudar e fazer pesquisas para trabalhos em desenvolvimento.
          [Fonte: Mr. Wallpaper]
        8. Leio um pouco enquanto tomo um chá quente. E, claro, fico tão relaxada que adormeço num instante!

        Os fins-de-semana seriam um pouco diferentes... Veria alguma televisão se passasse um bom filme, juntava-me com os amigos, passeava mais e descobria sítios novos!

        Por enquanto, ainda não consigo pôr a casa em ordem em apenas 30 minutos e tenho alguns hábitos por criar como, por exemplo, correr de uma forma mais regular e tornar a minha alimentação mais saudável mas este exercício de reflexão - imaginar o dia ideal - servirá de guia para novos hábitos a criar!

        E tu, que hábito gostarias de implementar no teu dia-a-dia?

        Destralhar coisas e Destralhar a Mente

        Quando comecei a destralhar o meu quarto, ainda em casa dos meus pais, o meu único objectivo era tornar o espaço mais organizado e sereno. Queria reduzir a tralha, acabar com a desorganização e simplificar o meu dia-a-dia. Durante algum tempo a minha única preocupação era destralhar e limitar o número de objectos no meu quarto.

        No entanto, passado algum tempo a destralhar tornou-se evidente que o quarto não era o único sítio que eu precisava de destralhar e, desde então, tenho tentado destralhar a mente. 

        [daqui]

        Aquele que eu considero ser um dos meus maiores problemas é viver no passado ou no futuro e pouco no presente. Também te acontece o mesmo?

        Por um lado, penso nas coisas que poderiam ter corrido de forma diferente se isto e se aquilo; por outro lado, preocupo-me com situações que poderão acontecer no futuro e, na maior parte das vezes, tenho uma vozinha dentro de mim que me diz que vão correr da pior forma possível. É como se eu tivesse Murphy, dentro da minha cabeça, a falar constantemente comigo!

        Há dias comecei a ler O Poder do Agora de Eckhart Tolle. Já tinha ouvido falar muito sobre este livro mas só agora pareceu fazer sentido lê-lo. Até agora li apenas 50 páginas, já que gosto de ir fazendo pausas e reflectir sobre os assuntos, tal como o próprio autor aconselha, mas identifiquei-me com o autor logo nas primeiras linhas quando diz “Até aos meus trinta anos, vivi num estado de quase permanente ansiedade (…)” A cerca de meio ano de entrar na casa dos 30’s já há muitos que também me sinto assim, a viver num estado de permanente ansiedade… Quis imediatamente saber o que tinha mudado na vida dele, como tinha saído desta luta constante e continuei a ler. À medida que virava a página, mais compreendida me sentia!

        Deixo-vos a história que Eckhart Tolle conta no primeiro capítulo, Tu não és a tua mente:

        "Havia mais de trinta anos que um pedinte se sentava na berma de uma estrada. Um dia, passou por ali um estranho. “Alguma moedinha?” pedinchou o pobre, estendendo automaticamente o seu boné de basebol. “Não tenho nada para te dar”, disse-lhe o estranho, Depois perguntou: “O que é isso em que te sentas?” “Nada”, respondeu o pedinte. “Apenas uma caixa velha. Sento-me nela desde que me lembro.” “Algum dia viste o que tem dentro?” tornou o estranho. “Não”, respondeu o pobre. “De que me serviria? Não há nada lá dentro.” “Vê o que tem dentro”, insistiu o estranho. O pedinte conseguiu forçar a tampa. Com surpresa, incredulidade e exaltação, verificou que a caixa estava cheia de ouro."

        Como moral da história, o autor refere que “Todos aquelas que não encontraram a sua verdadeira riqueza (…) são pedintes por maior fortuna material que possuam. Esses, para terem valor, segurança ou amor, procuram fora de si farrapos de prazer ou de realização pessoal, enquanto que dentro possuem um tesouro que, não só inclui todas aquelas coisas, mas é também infinitamente maior do que tudo o que o mundo tem para lhes oferecer.”

        E não é precisamente isso que acontece quando acumulamos tralha? Procuramos encontrar nas coisas, nos bens materiais, algum conforto, segurança e até amor!

        O Truque dos Objectivos Simples

         
        [daqui]


        Sempre que sinto dificuldade em atingir um objectivo, em organizar-me, tenho recorrido ao livro Power of Less de Leo Babauta. Imagino o que ele diria se lhe apresentasse pessoalmente o meu problema, vou procurando ideias e sugestões que Babauta partilha e que mais se aplicam à situação actual e reorganizo as minhas ideias.

        Acontece-me muitas vezes (e sei que não sou a única) sentir muita motivação e muita energia no início de um desafio, entregar-me por completo e, depois, atingir a exaustão passado pouco tempo. Afinal não é isso que acontece sempre que definimos uma lista de objectivos para o ano novo?

        Aconteceu-me de novo. Mudei de casa, cheia de energia para limpá-la e organizá-la. As duas primeiras semanas foram dedicadas a isso mesmo, só restava tempo para comer e dormir. Não estava sempre a limpar ou a arrastar móveis mas todas as tarefas acabavam por se focar na nova casa. Quando ficava cansada das arrumações, dava uma volta e procurava os produtos que me faltavam. Cheguei a adormecer e a acordar no dia seguinte focada nas limpezas!
        Claro que não aguentei este ritmo e acabei por fazer uma pausa. À medida que ia passando para a divisão seguinte, apercebi-me que não podia apenas fechar a porta das divisões já organizadas, também é preciso fazer a sua manutenção! Tinha-me tornado numa dona-de-casa à beira de um ataque de nervos!

        Peguei no livro e, no capítulo 6, Start Small, encontrei respostas.

        Este capítulo falava precisamente do entusiasmo que sentimos quando resolvemos mudar algo nas nossas vidas e como começamos sempre com grandes ambições.

        Eu queria tratar de toda a casa em três semanas ou um mês mas caí no erro de definir um objectivo irrealista. 

        [timsnell @ flickr]

        Porque é então tão importante definirmos objectivos simples?

        • Torna-se mais fácil manter a energia e o entusiasmo durante mais tempo. Ao definirmos pequenos objectivos que consigamos sempre atingir, construímos a nossa confiança e entusiasmo que alimenta a nossa energia para os objectivos seguintes.
        • São fáceis. Devemos sempre promover o nosso sucesso e nunca definir objectivos que nos conduzam, com grande probabilidade, ao fracasso e a sentimentos de frustração.
        • Asseguram o nosso sucesso. O objectivo é tão simples que o sucesso está, praticamente, garantido. Claro que a satisfação em atingir um objectivo simples não é a mesma que atingir um objectivo maior mas, a longo prazo, pequenos sucessos, após pequenos sucessos, geram grandes conquistas!
        • São mais duradouros. Mudanças graduais são mais favoráveis à construção de hábitos e manutenção destes. Esta é uma das razões que explica por que uma pessoa depois de seguir uma dieta drástica, volta a ganhar o peso anterior: não houve tempo para criar novos hábitos alimentares, nem tão pouco de um estilo de vida saudável.


        Também costumas cair neste erro? Definir grandes objectivos e desmotivares depressa?

        Saúde: Mais Vale Prevenir do que Remediar!


        Segundo o Observatório Nacional da Diabetes, em 2011, o número de pessoas com diabetes ultrapassou um milhão no nosso país. Além disso, 44% dos doentes ainda não estão diagnosticados!

        Ontem fiquei também a saber que as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte no nosso país e que uma em cada seis pessoas vem a sofrer de, pelo menos, um AVC ao longo da vida!

        E porque decidi eu falar sobre isto?

        Basicamente porque apesar de estas serem as principais causas de morte entre os nossos familiares e amigos, continuamos a ter um comportamento irresponsável. Por exemplo, no caso do AVC, afirma-se que cerca de 90% destes poderiam ter sido evitados!

        Que comportamentos devemos alterar no nosso dia-a-dia?

        Em primeiro lugar, todos os anos deve ser feita alguma vigilância do nosso estado de saúde, nomeadamente, a pressão arterial, os níveis de colesterol e glicemia e ainda o nosso ritmo cardíaco.

        Para mantermos os valores destes indicadores de saúde num intervalo saudável é muito importante ter um comportamento de prevenção. Para além de uma alimentação saudável, tema que tenho tentado abordar aqui à medida que eu própria vou fazendo alterações, devemos fazer exercício de uma forma regular. Não pode haver a desculpa de que não há dinheiro para ir a um ginásio quando basta caminhar 30 minutos por dia e fazer uma actividade mais exigente ao nível aeróbico como, por exemplo, dançar em casa, só ou com as crianças da casa!

        [daqui]

        Finalmente, é mesmo essencial parar de fumar. Eu sei que este passo pode ser muito difícil! Eu sou uma ex-fumadora e tive algumas recaídas e, ainda hoje, quando vejo um maço de cigarros da minha marca preferida, sinto-me bastante ansiosa e tenho de fazer um grande esforço para evitar pedir um cigarro ou ir comprá-los ao café. Mas já não fumo um cigarro há cerca de três anos e é neste caminho que eu quero manter-me! Se houver alguma fumadora que me esteja a ler, espero que consiga arranjar força para largar este maldito vício!

        Também têm familiares ou amigos que já tenham sofrido um AVC ou tenha diabetes?

        Primeiras impressões do Desafio Gratidão num Frasquinho 2013!

        O desafio consistia em colocar, pelo menos, uma vez por dia, um papel no frasco, no qual se agradece por qualquer coisa que tenha acontecido de bom, pela qual estamos gratas.

        Ainda não fez um mês e já sinto o impacto deste desafio!


        Quando deixei de fazer inúmeras coisas que gostava por me sentir muito ansiosa, o meu estado de espírito mudou drasticamente. Era muito fácil cair na tentação de pensar apenas nas coisas que não conseguia fazer... por vezes, ficava muito deprimida porque parecia que não conseguia fazer nada! Caía no erro de comparar-me a outras pessoas que não têm problemas de ansiedade e que conseguem fazer tudo aquilo que eu não consigo fazer, em vez de comparar a minha situação actual à situação em que me encontrava há meses ou anos atrás. Em vez de me focar naquilo que já conseguia fazer, focava-me naquilo que ainda não conseguia e sentia-me muito triste e frustrada.

        Ao escrever os papelinhos para pôr no frasco, consegui mudar isso. Passo a agradecer por tudo aquilo que já consigo fazer. Por exemplo, no domingo fiquei grata por ter conseguido ficar sozinha na fila da caixa de pagamento de um hipermercado cheio, por alguns minutos. Poderá parecer uma coisa normal do dia-a-dia mas para mim é espectacular!


        Para além deste desafio ajudar-me a focar nas coisas positivas, tem ainda outro efeito. Agora saio da minha zona de conforto/segurança. De outra forma, como poderia estar grata por tantas coisas? 
        Para além de me desafiar diariamente, sinto que estou a ganhar confiança em mim própria. Enquanto antes pensava imediatamente “não consigo”, agora penso “se calhar até consigo, vou tentar!”.



        De pouco a pouco, ao fazer pequenas coisas que antes temia e, ao verificar que nada de mal acontece, ganho mais confiança para fazer um pouco mais no dia seguinte.


        Se ainda não aderiste ao desafio, de que estás à espera??