5 de novembro de 2011

Frida Kahlo

A pintora Frida Kahlo é uma das minhas preferidas. Conheci-a, mais a fundo, através da actriz Salma Hayek, no papel de Frida, no filme homónimo (2002) de Julie Taymor. Aliás, este tornou-se também num dos meus filmes preferidos e, por muitas vezes que o veja, acho sempre que os actores que interpretaram o papel de Frida (Salma Hayek) e do seu marido Diego Rivera (Alfred Molina) foram excepcionais. A banda sonora também presta um papel muito importante neste filme, tendo ganho um Óscar.

Frida Kahlo nasceu a 6 de Julho de 1907 em Cayoacán, no México, em sua casa, conhecida como La Casa Azul, onde 47 anos mais tarde vem a falecer. Frida é a terceira filha de um casamento pouco feliz e apesar de ter vivido sempre entre mulheres, a ligação com o seu pai era a mais forte. Este sempre apoiou a sua arte e sendo ele também um pintor, tinha a capacidade de reconhecer a qualidade dos auto-retratos construídos pela sua filha. 
Mas Frida nasceu com uma sina, apesar de ser uma grande lutadora, uma comunista convicta que fez parte da revolução mexicana -  nasceu em 1907 mas quis sempre que a reconhecessem como nascida em 1910, ano em que a revolução se iniciou - a doença foi sempre uma constante. Era ainda criança quando desenvolveu poliomielite, mais tarde uma doença ao nível da coluna e, aos 18 anos, sofre um grave acidente. Neste acidente, o pára-choque da camioneta perfurou-lhe as costas, atravessou a pélvis e saiu pela vagina, partiu ainda a coluna, várias costelas, a perna direita em 11 locais diferentes e o pé direito. Seguiram-se vários meses de recuperação e 35 operações, mantendo-se sempre num limbo entre a vida e a morte. Frida nunca conseguiu recuperar a 100% deste acidente e as dores tornaram-se numa constante na sua vida. Se é possível retirar algo de bom de toda esta tragédia, será a pintura. Os meses que foi obrigada a permanecer na cama, permitiram-lhe dedicar-se a tempo inteiro à pintura. A maior parte dos seus trabalhos foram auto-retratos, ela explicava "I paint myself because I am so often alone and because I am the subject I know best."

A sua pintura tem influências mexicanas e indígenas, ela usava sempre cores vivas e o macaco era um animal muito frequente nas suas obras, representando um ser protector e carinhoso. Alguns referem que Frida foi uma das pintoras que provocou o surgimento da corrente surrealista, nomeadamente André Berton que a descreveu como sendo uma "ribbon around a bomb".

Mas, durante muito tempo, Frida era apenas conhecida como sendo mulher de Diego Rivera, também pintor mexicano. Frida era sua fã e procurava-o, inicialmente, apenas para obter a sua crítica e ensinamentos. Apesar de conhecer a natureza infiel de Rivera, o coração falou mais alto e acabaram por se casar, em 1929. Esta relação foi sempre conturbada pois ambos eram infiéis com conhecimento mútuo. Rivera tinha apenas ciúmes dos homens com que Frida se envolvia, sendo indiferente às mulheres. Frida também ia aceitando as traições do marido e foi, inclusivé, amiga íntima da sua ex-mulher. Mas o casamento termina, em 1939, quando Frida apanhou o seu marido com a sua irmã. Um ano mais tarde, voltam a casar e Frida desculpa o marido pois sente que também teve culpa no incidente. Frida conhecia estas "recaídas" do seu marido e mesmo assim deu tecto à própria irmã em sua casa, aconselhando-a a ajudar Rivera nas suas pinturas para não ter tanto tempo livre para pensar - esta tinha acabado de se separar do seu marido devido a constantes agressões físicas. A reconciliação foi também conturbada, ambos mantinham os seus relacionamentos fora do casamento (acolheram o amigo mútuo Léon Trotsky - que fora exilado - e sua mulher e Frida teve um caso com ele) e acabaram por viver separados, tendo apenas um pequeno acesso de nível pedonal que unia as portas de suas casas.

Frida faleceu em 1954, sete dias após ter feito 47 anos. Não se sabe exactamente se a morte foi causada por uma overdose, se decorre de uma pneumonia ou de um embolismo pulmonar (sendo esta a causa oficial de morte). Entretanto também tinha desenvolvido gangrena e por isso a perna direita foi-lhe amputada até ao joelho. Frida, dias antes de morrer, escreveu no seu diário "I hope the exit is joyful - and I hope never to return".

Diego Rivera, na sua autobiografia, descreve o dia da morte de Frida como sendo o dia mais trágico da sua vida e, reconheceu, mais tarde, que a parte mais maravilhosa da sua vida tinha sido o seu amor por ela.


No Museu da Cidade, em Lisboa, abriu ontem a exposição "Frida Kahlo - As Suas Fotografias", que estará patente até dia 29 de Janeiro de 2012 no Pavilhão Preto.
Esta exposição consiste numa colecção de fotografias que pertenciam ao acervo pessoal da pintora e que se agrupam em seis núcleos: os pais, a casa azul, o corpo acidentado, os amores, a fotografia e a luta política.

Eu, provavelmente, irei visitar a exposição amanhã. Depois conto-vos o que achei.





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