19 de abril de 2017

Sê Feliz - Estabelece uma Rotina

Neste regresso das férias da Páscoa, trago outro segredo para se Ser Feliz, o 20º: Estabelecer uma Rotina. O autor vai mais longe, define-a como sendo doméstica. Eu acho que podemos encontrar outro tipo de rotinas que, também, influenciam a nossa felicidade!

A teoria do autor é de que a desarrumação da nossa casa tem um grande impacto no nosso bem-estar e que arranjando uma rotina doméstica para colmatar essa nossa fraqueza - a de ir adiando as tarefas que nos custam tanto a fazer -  encontraremos um processo metódico, uma ordem pela qual as tarefas deverão ser feitas. Assim, a casa ficará arrumada e a nossa consciência em paz. Se esta for um das razões pela qual te sentes, por vezes, infeliz, aconselho o site da FlyLady. Para quem não conhece, este site é dedicado, unicamente, à organização e à limpeza da casa. Pessoalmente, acho-o um pouco exagerado e tem muita publicidade aos produtos comercializados mas, também, tem coisas muito boas! Aquilo que acho mais interessante, e proveitoso, é a lista com "a tarefa do dia" que recebo todos os domingos, dedicada à semana seguinte. Cada semana é focada numa ou mais divisões da casa e, tenho sentido que, fazendo essas pequenas tarefas que indicam, a casa mantém-se mais organizada. Hoje, por exemplo, a tarefa do dia era destralhar e limpar as mesas de cabeceira.

Mas, falando de rotinas no geral... As rotinas, sejam de que tipo for, ajudam-nos a ganhar tempo e a relaxar... Pessoalmente, gosto de ficar na cama até ao último minuto possível. Nas férias, acordo com as galinhas e aproveito todo o sol possível - vá-se lá perceber!

[@ Today Show]

Podemos ter uma rotina criada de forma a facilitar as saídas de manhã e permitir pôr o despertador a tocar mais tarde. Coisas simples como: 
  • Escolher a roupa do dia seguinte e deixá-la preparada e pronta a vestir
  • Preparar a mala (e ensinar os filhos a deixarem as mochilas prontas) para o dia seguinte
  • Lavar o cabelo na noite anterior
  • Preparar o almoço ou o lanche
  • Imprimir documentos necessários
  • Deixar tudo que é necessário levar, no mesmo sítio
... podem ajudar-nos a ganhar mais uns minutos pela manhã!

Há quem prefira, no entanto, acordar mais cedo e fazer tudo com calma. O Luís, por exemplo, não gosta de sentir a pressão de ter de se arranjar para sair, assim que acorda. Ele gosta de ver as notícias de manhã, ver as novidades nos canais de Youtube que segue e tomar o pequeno-almoço com calma. Há quem goste, também, de praticar desporto antes de ir trabalhar ou mesmo de meditar.

Mas, o mais importante - e a mensagem que quero deixar - é encontrarmos uma rotina à nossa medida, que satisfaça as nossas necessidades e que nos faça mais felizes.

E tu, tens alguma rotina que te ajude no dia-a-dia?

2 de abril de 2017

Leituras de Domingo #11

Vamos regressar às leituras de Domingo?

@ The Everygirl
Esta é uma rubrica onde partilho leituras da semana que achei interessantes, dos mais variados temas.

Espero que também gostes destas partilhas:

30 de março de 2017

Sê Feliz - Partilha com os Outros

Olá! Tudo bem convosco?

Hoje trago-vos o 14º Segredo para se ser Feliz, segundo David Niven. Este segredo fala-nos da importância da partilha.

@ Pinterest
Na minha relação com o Luís - e já lá vão quase 7 anos - partilhar foi uma das coisas mais importantes que aprendi. Sempre foi fácil partilhar coisas boas mas as más guardava-as para mim... não queria chatear os amigos com as dificuldades, era assim que eu me sentia!

Pode parecer inconsistente com o que faço aqui, na blogosfera, mas aqui é mais fácil partilhar o que sinto porque ler aquilo que escrevo será sempre opcional. Quando converso com um amigo - e acreditando que ele não vai fugir a meio da conversa - não quero forçar um ambiente chato ou desconfortável, prefiro ser sempre eu a ouvir. Só que isso traz as suas consequências, quando não se partilha, vai surgindo uma sensação de solidão, de isolamento e de incompreensão.
 
Com o Luís aprendi a partilhar as coisas más. Primeiro, um pouco mais forçada pois ele percebia, pela minha expressão, que eu não estava bem e não desistia enquanto não falasse. Depois, ao perceber que ele se preocupava realmente, que me ouvia e que tentava ajudar-me, fui-me apercebendo que isso apenas, o partilhar, ajudava-me muito. Sentia-me mais leve e sentia-me acompanhada.
 
Depois do diagnóstico da Esclerose Múltipla, falei com alguns amigos que também sofrem de doenças crónicas sobre como a aceitaram, li testemunhos de pessoas com a mesma doença e, ainda ontem, acabei de ler um livro do actor Michael J. Fox, Always Looking Up, onde fala do seu diagnóstico de Parkinson e de como arranjou forças para lutar contra a doença - acabou mesmo por criar uma Fundação incrível. Todos acabam por falar de um pilar incontornável, na força que a família e os amigos dão. E, aos poucos, também eu fui partilhando aquilo que se passava comigo, primeiro com os meus pais e irmão, depois com a mãe do Luís e os meus amigos mais próximos. O Luís esteve sempre comigo desde o primeiro dia.
 
E é esta mensagem que quero deixar convosco: se estiverem a passar um momento menos bom, partilhem. Talvez o amigo que vos vá ouvir, também já tenha passado por isso e compreenda o vosso problema até melhor do que poderão pensar. Talvez daí surjam partilhas importantes ou até soluções!
A amizade também é isso, estarmos lá para apoiar nos momentos maus. Se quem ouve, fica, aí sim, é um verdadeiro amigo.

22 de março de 2017

Sê Feliz - Alimenta Expetativas Realistas

Olá! Tudo bem?

Hoje trago o 12º Segredo de "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes" de David Niven.

Já peguei neste livro várias vezes desde que mora cá em casa e consoante a fase em que me encontro na vida, uns segredos fazem mais sentido que outros. Depois do susto que apanhei no início do ano, vivo o meu dia-a-dia de uma forma diferente, vivo mais o momento, o presente.

Acabei por decidir partilhar aqui os segredos do livro que, para mim, fazem a diferença, aqueles que acho que são mesmo relevantes. Tenho partilhado o segredo, o significado geral dele e como eu o interpreto ou como o ponho em prática na minha vida.

[@ Everything Etsy]
Alimentar Expectativas Realistas... Se antes alimentava muitas expectativas, agora não as tenho sequer. Vou vivendo um dia de cada vez, com poucos objectivos e todos eles fáceis de cumprir (desde que a preguiça ou a fadiga associada à doença crónica não se instale).

Por exemplo, assim que conheci o meu diagnóstico, as implicações da doença e da fase inicial do "tratamento", a primeira coisa que fiz, na faculdade, foi pedir redução horária. Pode não parecer uma decisão complicada mas para quem já fez 7 cadeiras num semestre, estar agora a assumir, perante mim, que não iria ser capaz de fazer 5 sequer, foi muito difícil. Eu sou muito exigente comigo e agora teria de me libertar dessas minhas amarras. E, acima de tudo, tive de ser realista. Aceitar a doença, os primeiros meses de tratamento com efeitos secundários associados, tudo isso iria mexer muito comigo e, por muito que quisesse, por muito que me esforçasse, iria ser impossível ter força para tudo o que eu gostaria de fazer. O tempo teria de ser gerido de outra forma e primeiro, que tudo o resto, estava a minha saúde.

E tem sido assim... tento respeitar as minhas necessidades, a minha saúde e nunca exagerar em nada, nunca forçar a barra. Por enquanto tenho estado estável e feliz e, acima de tudo, muito grata por isso!
Se pudesse voltar atrás no tempo e falar com o meu eu, diria-lhe para não stressar tanto, para não perder tempo e energia com tanta coisa ao mesmo tempo, para não ser tão exigente e para dar mais valor às pequenas coisas do dia-a-dia. E, também, para não fazer planos a longo prazo, se calhar diria até para não fazer planos de todo... Provavelmente, o meu eu passado iria mandar-me bugiar.
Mas a vida é mesmo assim... uma aprendizagem constante que nos faz crescer!

15 de março de 2017

Chovem Oreo!!!

Não era certamente o melhor dia da semana. Saí mais cedo de uma aula para poder chegar a horas a mais uma consulta - este ano já devem somar mais do que todas as que tive na minha vida - e devia parecer a pessoa mais infeliz do Mundo.

Passo junto a uma estação de metro e descubro que estão a oferecer amostras de Oreo. Lembro-me de quando levava sempre um pacotinho na mochila, ainda no secundário, e a vida parecia bem mais fácil... Sorrio para o rapaz e peço, expressivamente com os braços abertos, um monte delas.

Ele sorri e, sem avisos, despeja o saco das amostras para dentro do carro! Choviam, literalmente, Oreo sobre mim e eu senti-me, de repente, uma miúda num desenho animado. Só ria.

@Medeia Filmes
Engraçado como pequenas coisas fazem tanta diferença num dia que parecia ser tão cinzento...

10 de março de 2017

Sê Feliz - Aceita-te Incondicionalmente

David Niven, psicólogo e investigador de ciências sociais, é o autor de "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes", o livro que já mencionei no post anterior. Neste, o autor defende que a felicidade pode ser muito influenciada pela nossa atitude de vida e não depende do acaso. Está nas nossas mãos mudarmos, pouco a pouco, alguns dos nossos hábitos, para nos sentirmos melhor.

@ Linked In

Parecem haver dois tipos de pessoas, quanto à forma como encaram um insucesso:
  • As que aceitam os insucessos, tratando-os como incidentes isolados, e que não acreditam que as suas capacidades estejam em causa
  • E as que ampliam o fracasso, tomam-no como uma representação de si próprias e usam-no para prever o resultado de futuros acontecimentos na sua vida.
Eu pertenço claramente ao segundo grupo. Passados quase vinte anos a lidar/sofrer com ataques de ansiedade, revejo-me logo na descrição. Sinto-me ansiosa num local, por vezes chego a ter um ataque de pânico e torno essa experiência como certa. Sempre que regressar a esse local, irei sofrer tanto ou pior. E não faço esta associação apenas com situações ligadas a ansiedade, eu sou assim, espero sempre o pior! Provavelmente, prefiro esperar o pior e ter uma boa surpresa do que esperar o melhor e ter uma grande desilusão... Mas, de qualquer forma, sei que ao esperar o pior, limito-me muito.

Com a EM (esclerose múltipla) tem sido diferente: não fiquei chocada com o diagnóstico, além duma crise de choro nos primeiros 10 minutos, tenho esperança no tratamento que estou a fazer, acredito que não vou ter efeitos secundários tão graves como os que tenho lido e que, de alguma forma, a vida há-de continuar sempre em frente. Claro que, às vezes, tenho momentos em que fico insegura, especialmente depois de ler testemunhos mais negativos na internet e não me esqueço do que esta doença poderá trazer no futuro, existe a possibilidade de ter de recorrer a uma cadeira de rodas, estou ciente de que isto é só o início. Mas, mesmo assim, ao contrário do que seria de esperar, não estou focada em tudo o que poderá acontecer de mal! Agora só falta conseguir contagiar o resto do meu ser com esta energia positiva!

E tu, aceitas os teus insucessos e... bola para a frente?

6 de março de 2017

Sê Feliz - Desliga a Televisão

Há uns anos atrás tinha o hábito de ligar a televisão enquanto tomava o pequeno-almoço, via as notícias logo de manhã e sentia-me bem informada. Aos poucos comecei a sentir-me deprimida mas claro que não relacionei isso com a televisão.
Numa conversa no laboratório da faculdade, calhou o professor contar que tinha deixado de ver as notícias na televisão, preferia lê-las. Ver as notícias deixavam-no deprimido... E eu comecei por aí, deixei de ver as notícias e passei a lê-las nos jornais gratuitos que distribuem pela manhã. Depois terminou a telenovela que eu seguia (Babilónia) e não encontrei nenhuma que gostasse... Aos poucos deixei de ver televisão...

Tenho um livro cá em casa que se chama "Os 100 Segredos das Pessoas Felizes - o que os cientistas descobriram e o aconselham a fazer". O 7º segredo é Desligar a Televisão. Pedem ao leitor uma reflexão enquanto vê um programa na televisão, qualquer coisa como: Se este programa não existisse, pediria para que fosse criado?

@Watching the Wasteland
Não é que não veja nada na televisão mas agora prefiro gravar o que me interessa - filmes, séries e documentários. As vantagens são várias:
  1. Há vida além da televisão! Não há ir para a cama tarde porque o programa acaba às tantas ou ficar uma tarde de fim-de-semana em casa porque quero ver um filme que vai passar. A televisão não dita o meu dia-a-dia.
  2. Vejo apenas o que me apetece e quando quero. Às vezes, apetece-me ver uma série, mas não quero ver um só episódio e esperar pela semana seguinte para ver o próximo... Posso ver dois ou três de seguida. Outras vezes não estou com disposição para ver filmes, ficam para depois, vão estar disponíveis na mesma.
  3. Não perco tempo com os intervalos. Já repararam bem na duração dos intervalos, especialmente quando passa um filme?? Chegam a ser 15-20 minutos... Toca a passar à frente e poupa-se também na publicidade.
  4. E também não perco aquilo que quero ver. Seja porque preciso de interromper a visualização ou porque me esqueci de gravar (o meu pacote permite recuar 7 dias, além de que as séries são gravadas automaticamente pelo que nunca perco um episódio).
  5. Vejo menos televisão. Com tudo gravado, já não ligo a televisão só porque sim. Apesar de seguir algumas séries, a verdade é que nunca gastei tão pouco tempo com a televisão. O tal livro diz que ver televisão a mais pode triplicar o consumo de bens materiais e reduzir a satisfação pessoal em 5% por cada hora passada à frente do ecrã!

Ligo a televisão às sete da manhã. Vejo as notícias. As capas dos jornais. Desligo a televisão e oiço música todo o dia (...) A minha capacidade de suportar a realidade, aquela que me chega através das imagens de comentários seguidos de mais comentários, atingiu o limite.
O que é agora deixa de ser logo à tarde e amanhã já é outra coisa.
(...) vivemos num momento em que é quase impossível ter silêncio, ter espaço sequer para digerir aquilo que nos chega.

Luísa Castel-Branco em Nos Teus Olhos Vejo o Mundo
 
E tu, quantas horas de televisão vês por dia?

1 de março de 2017

Lojas de Compra e Venda de Roupa em Segunda Mão (Editado)



Olá!

Decidi ir ao baú e editar o post sobre venda e compra de roupa em 2ª mão. Este tipo de negócio continua activo mas o artigo já se encontrava com muitas indicações ultrapassadas. Além disso, criou-se a ideia de que eu comprava roupa e que a venderia aqui, coisa que nunca aconteceu! Agradeço, no entanto, comentários que partilhem lojas, sites ou páginas de Facebook que se encontrem activos :) Os restantes serão apagados.

Tudo começou com um artigo que li no Diário de Notícias. Entretanto, também com a vontade de vender livros que já não precisava e roupa que já não usava, criei, uma conta no olx, site de anúncios grátis, de que a Ana me tinha falado - e que realmente resultou!

O artigo do Diário de Notícias indicava algumas lojas e sites dedicados a este mercado. Na altura, como tinha encontrado imensas pessoas à procura do mesmo que eu, decidi criar uma lista com sites e moradas de lojas. Entretanto com o boom do Facebook, existem, actualmente, vários grupos dedicados exclusivamente à venda e compra de artigos em 2ª mão, pelo que também será uma boa opção.

Lojas em Lisboa:
  • A Outra Face da Lua. Morada: Rua da Assunção, n.º22 (Baixa-Chiado)
  • Troca Moda. Morada: Avenida Luís Bívar, n.º 5, cave (Picoas)
  • Baú Segunda Mão. Morada: Rua Infantaria 16, n.º53A (Campo de Ourique)
  • Fairy Tail. Morada: Av. Maria Luísa Braamcamp, n.º 45 (Sacavém)
 
Lojas no Porto:
 
Lojas em outros Locais:
 
Sites e Facebook:

Se quiserem, visitem também o meu espaço: Descontos em Segunda Mão, onde irei colocar mais artigos à venda!

27 de fevereiro de 2017

Em Busca de Paz

Talvez seja muito cedo para dizer que aprendi alguma coisa com a EM (esclerose múltipla) mas o susto associado ao primeiro surto foi tão grande que houve mudanças imediatas no meu dia-a-dia, umas conscientes, outras foram apenas acontecendo.

A única pessoa que conheci com EM foi a minha avó paterna. Pouco (ou talvez nada...) se sabia então sobre a doença (penso que não recebeu sequer qualquer "tratamento") e as imagens com que fiquei desta doença eram bastante más. Não sabia o que esperar. Sabia em que consistia a doença porque tinha bastantes noções de como os neurónios funcionam (Fisiologia foi uma das minhas cadeiras preferidas na licenciatura em Bioquímica) mas não sabia quão progressiva era a doença. Não sabia se ia ficar numa cadeira de rodas ou de cama em pouco tempo... Mas também não conseguia ficar na ignorância. 

Ainda não tinha sido feito o diagnóstico, havia apenas uma certeza interior minha, quando fui a uma livraria procurar por livros sobre EM. Não encontrei nada, apenas um de Bernardo Pinto Coelho, que sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA). Li-o num ápice e, apesar da doença que o Bernardo tem, sentia-me preenchida ao ler o seu testemunho. O Bernardo parece ser alguém muito optimista, cheio de vida e amor para dar... Parecia que aquelas palavras tinham sido escritas para me reconfortar. E, aos poucos, fui procurando apenas isso... essa paz.

Eu sempre fui um pouco inconsequente, sem filtro, muito espontânea mas, com esta experiência e sem reparar, construí um muro à minha volta e só deixo entrar aquilo que eu quero conscientemente. Comecei a dar valor à minha vida, à minha saúde, de uma forma que nunca tinha sentido antes. Agora sinto que me protejo, tento cercar-me de amor, de pessoas e experiências positivas. Oiço o meu corpo e respeito-me. Às vezes são coisas muito simples... Vou dar-vos um exemplo: Quando ingressei na Faculdade de Farmácia obtive algumas equivalências do 1º ao 4º ano, o que faz com que tenha aulas de vários anos. Os alunos do 1ºano são sempre barulhentos, vão a todas as aulas apesar de não haver faltas, conversar sobre tudo excepto o que se passa na aula (estou no meu 3º curso e a história repete-se...) e eu estou numa fase diferente da vida. Agora quero sentar-me à frente, quero entender a matéria, quero ouvir o professor e sinto-me grata por ter essa oportunidade. Durante este semestre, já aconteceu, por duas vezes, ter um grupo falador ao meu lado, esforço-me para ouvir o professor mas eles conseguem sobrepor a voz. Antes ficava frustrada mas aguentava a manhã ou a tarde assim. Agora, pego nas minhas coisas, levanto-me e mudo-me para um lugar que aparenta ser calmo. Agora, em vez de uma manhã frustrada, protejo-me daquilo que me chateia e fico em paz com a minha decisão.

Sempre que tenho opção, elimino o stress que outras pessoas ou situações me provocam.

BE Unique


E o que mudou no meu dia-a-dia?
  • Oiço mais música
  • Leio livros que têm a esperança, a força e o amor como mensagem principal (reli o Diário de Anne Frank - é impressionante como, no meio da tragédia, existem pessoas que transcendem o que lhes acontece)
  • Converso diariamente com amigos e familiares - que me têm apoiado imenso, além do meu companheiro, claro!
  • Tento distrair-me com jogos de tabuleiro ou de consola
  • Faço caminhadas com os meus cães. Infelizmente muito curtas porque canso-me muito facilmente, um quarteirão parece uma maratona!
  • Vejo menos televisão à noite e deito-me mais cedo.
  • Tenho uma alimentação mais saudável e tomo, diariamente, óleo de fígado de bacalhau (o meu nível de vitamina D era baixíssimo, característico da EM..)
  • Apanho sol sempre que é possível.
  • Vivo o presente e não faço grandes planos para o futuro - já não dou por certo estar cá amanhã...

 Já viveste alguma experiência que tenha provocado uma viragem de 180º? Que te tenha feito dar mais valor ao momento presente?

26 de fevereiro de 2017

Ressonância Magnética Aberta

Olá! Tudo bem convosco?

Hoje queria falar-vos acerca da minha experiência com as ressonâncias magnéticas que realizei com o intuito de ajudar no diagnóstico.

São várias as razões que podem levar um médico a prescrever este tipo de exame e poderás, um dia, ter de fazê-lo, mesmo não sofrendo de qualquer doença parecida com a minha. Geralmente, é um exame a realizar após uma radiografia ou TAC, quando é necessário obter um maior detalhe de órgãos ou tecidos.

A ressonância magnética é um exame indolor e seguro (apesar de incompatível com alguns dispositivos que se possa ter como implantes e próteses, mas toda essa informação é fornecida antes). É moroso (pode levar até 30-45 minutos) e ruidoso (ouvem-se sons semelhantes ao martelar e, por isso, são-nos fornecidos uns tampões auditivos para atenuar o barulho). Pode ser necessário administrar um contraste intravenoso, mas tal só se perceberá ao longo do exame, consoante as imagens que o médico vai tendo acesso.
A máquina, mais comum, é cilíndrica, aberta de ambos os lados, iluminada e arejada. A parte do corpo a examinar, terá de ficar no seu interior. Para tal, após deitarmos-nos numa cama, tipo maca, esta é conduzida para o interior do cilindro (vim, depois, a saber que existem bastantes pessoas que se sentem ansiosas ou mesmo claustrofóbicas quando a cabeça tem de ficar no interior). Por fim, é-nos dado um pequeno "comando" com botão caso queiramos falar com o médico ou técnico.

Estas são as informações gerais sobre o exame que tentei encontrar antes de o fazer, e que fui encontrando um pouco por todo o lado, para ir mentalmente preparada - os exames médicos, no geral, deixam-me muito ansiosa...

Eu tive de realizar dois tipos de ressonâncias magnéticas, uma ao cérebro e outra às órbitas. Demoraria, portanto, cerca de hora e meia no total. Pedi para ficar com o meu companheiro na sala de exame enquanto o realizava e deixámos todos os objectos metálicos que tínhamos numa pequena sala, onde troquei a roupa por uma bata. A sala de exame estava a uma temperatura bastante fria, pelo que após deitar-me na "maca" fui tapada com cobertores. Fria o suficiente para que fornecessem, também, ao meu companheiro um cobertor para colocar sobre as costas. Foi-nos também fornecido os tais tampões para os ouvidos.

A ressonância magnética às órbitas implica a colocação de um equipamento, tipo capacete, parecida com uma armadura, em que os únicos, e pequenos, orifícios que existiam eram para os olhos, nariz e boca - informação que não encontrei descrita na minha procura... Assim que o coloquei senti-me, imediatamente, claustrofóbica. Agora, além de não ver nada do meu lado direito, pouca visão tinha também do esquerdo... A "maca" foi deslizando para o interior e quando pensava que iria parar, pois a minha cabeça já se entrava no interior, em vez disso, só parou praticamente ao nível dos joelhos. O meu companheiro contou-me que gritei, chamei por socorro, mas disso não tenho memória. Sei também que retiraram-me da máquina imediatamente, que uma técnica tentou acalmar-me quando ainda estava deitada e enquanto me tiravam toda a parafernália. Eu só tenho memória de já estar sentada, a chorar e a tremer, enquanto a médica com uma voz fria disse que, naquelas condições, não iria conseguir fazer o exame e que teria de ser anestesiada. Para isso, teria de tornar a fazer a marcação para que um anestesista e uma enfermeira estivessem presentes...

Se já passaram por este sofrimento ou temerem passar, esqueçam! Nada disto é necessário!!! Actualmente existem máquinas que são (verdadeiramente) abertas e que pouco barulho fazem (nem é necessário pôr tampões), em salas onde a temperatura é a ambiente, onde é colocada música calma e onde o acompanhante é bem-vindo. Sei que existem em várias partes do país. Eu dirigi-me ao Montijo, por ser o local onde tinha uma vaga mais próxima, e apenas posso falar desse local... passo a publicidade.

[REMAGNA]


O técnico foi super-atencioso, explicou-me previamente como a máquina funcionava e mostrou-me, inclusive, como sair, rapidamente, da máquina, caso me sentisse muito ansiosa. Aceitou fazer uma pequena pausa entre as duas ressonâncias, caso precisasse de me acalmar um pouco (acabei por parar apenas um minuto). As duas demoraram, no total, cerca de uma hora. A única desvantagem que existe neste local deve-se ao facto do médico só estar presente à 6ª feira a partir 16H, salvo erro. Nesse dia tive de esperar pelo médico - aproveitei para descansar, passear um pouco e comer um lanche leve - pois poderia ser necessário contraste. Tentei desviar a atenção sempre que me lembrava que se fosse necessário contraste isso iria implicar o uso de seringa...

Voltei ao local, confirmou-se que era necessário contraste mas só teria de repetir umas imagens num total de 10 minutos. Deitei-me na "maca", olhei para o lado e senti uma leve e rápida picada, mas tão ligeira que nem queria acreditar que era só aquilo que eu temia (no fim do exame, apercebi-me que tinha sido colocado um cateter e a agulha era minúscula - fiquei fã!)... Depois de ter estado uma hora praticamente imóvel, 10 minutos passaram a correr. E, finalmente, tinha as ressonâncias magnéticas feitas. Tinha conseguido! E tinha vencido mais uma etapa!!!

Já fizeste alguma ressonância magnética? Como foi a tua experiência?

23 de fevereiro de 2017

A perda (e recuperação) da minha visão

Regressando ao início...

Não sei se todas as pessoas que sofrem de EM, descobrem através de um surto agudo como aconteceu comigo mas sei que a perda de visão e alteração da coordenação motora são dois dos surtos agudos de EM mais comuns.

Acordei um dia sem conseguir ver nada com o meu olho direito mas, voltando atrás uns dias, já tinha uma impressão no olho. Lembro-me de ir a conduzir até ao supermercado e tentar limpar, sistematicamente, a vista, como se tivesse um cisco no olho. Não liguei muito até porque coincidia também com um dia em que tinha usado um amaciador diferente e pensei que talvez tivesse feito alguma reacção...

O que é certo é que passados uns dois dias, acordei e tudo estava diferente. Parecia que havia um nevoeiro cerrado e conseguia ver apenas algumas coisas pelo canto inferior do olho direito. A luz, apesar de não a ver, fazia-me imensa impressão e, durante alguns dias, antes e após a primeira consulta de urgência, tapei a lente direita dos óculos de sol com uma gaze e só assim conseguia estar de olhos abertos - durante algum tempo treinei manter apenas o olho esquerdo aberto mas ficava com dores musculares na parte direita da cabeça e percebi que também não era solução.

O tratamento comum para os surtos agudos de EM são corticosteroides intravenosos, cuja administração dura cerca de 30-45 minutos, durante 5 dias consecutivos. Estes diminuem a inflamação e aceleraram a recuperação. Alguns estudos científicos indicam também que a toma destes diminui a probabilidade de surgir um surto agudo a curto prazo.

Eu decidi não usar os corticosteroides por diversas razões: fobia a agulhas (não conseguia sequer imaginar-me a ser injectada, quanto mais por 30 ou 45 minutos e durante 5 dias); efeitos secundários que poderiam provocar; por desconhecer que o tratamento poderia diminuir a probabilidade de surtos nos meses seguintes (só vim a saber disso depois); tinha lido casos em que o doente recuperava totalmente a visão, mesmo sem este tratamento.

Dizem que só damos valor às coisas quando as perdemos e isso é verdade! Sem a visão direita, de repente tudo era difícil... Não conseguia subir e descer escadas que não conhecesse bem, pois não conseguia perceber a altura dos degraus... Não conseguia ir a um supermercado ou loja pois não via nada do meu lado direito e não me afastava das pessoas quando elas vinham na minha direcção e, de repente, chocava com alguém e apanhava um susto... Aconteceu numa loja mais apertada, afastar-me de uma pessoa para a deixar passar e quase caí porque, do meu lado direito, no chão, tinham deixado uma caixa grande e tropecei nela. Cheguei a pensar comprar uma bengala, não para me ajudar a caminhar, mas para usá-la com alguma inclinação para a direita e assim tentar perceber se havia algum obstáculo... Foram dias mesmo muito frustrantes...

Mas, depois, cruzava-me com pessoas totalmente cegas e isso, mais que nunca, fazia-me pensar... Será que nasceram cegas? Será que perderam a vista por causa de alguma doença ou acidente? Como fizeram para aceitar isso? Como vivem o dia-a-dia? Como conseguem caminhar sozinhas na rua?? Mas, ao mesmo tempo, toda esta reflexão ajudou-me a manter positiva, afinal eu ainda via com o meu olho esquerdo! Agarrei-me a isso, com unhas e dentes - enquanto conseguisse ver de um olho, nada estava perdido!

Depois de ler um testemunho, mudei a minha alimentação para ajudar na recuperação da visão (a partilha fica para depois, pois o post já vai extenso...). No espaço de 1 mês e meio, perdi a conta às consultas que fui - só esta semana fiquei de "férias" do hospital - mas, consulta após consulta, exame após exame, a visão estava a recuperar. Primeiro não lia nada com o olho direito, depois passei para uns 40%, depois para 80% e, finalmente, para 100%. No exame cromático também tive 100%. Na última observação que o meu neurologista fez directamente aos olhos, já não encontrou palidez. Falta apenas um exame - cujo nome não me recordo - dar resultados mais positivos para a zona central do olho direito - supostamente não recebe a informação de luz como deveria. Por fim, já realizei dois OCT, para se poder perceber, ao longo do tempo - um ano, penso eu - se algumas das fibras atrofiaram.

Olhando para trás, talvez tenha sido negligente quando decidi não fazer o tratamento com os corticosteroides mas fiz o melhor que sabia na altura. Por alguma razão, recuperei a visão num espaço de tempo bastante incrível. Fui uma sortuda!

13 de fevereiro de 2017

Regressar EM Força

Olá! Tudo bem convosco?

Passou muito tempo desde o último post aqui no blogue. Tenho muitas novidades mas hoje quero falar apenas de uma, que se esconde no título deste post: EM.

Fui diagnosticada com Esclerose Múltipla. E é tudo muito recente para mim...

[daqui]
Começou com a perda súbita da visão no meu olho direito no fim de Dezembro de 2016. Estudava para os exames que se aproximavam (consegui ingressar na Faculdade de Farmácia - mas essa novidade fica para depois) e um dia, quando acordei, estava tudo diferente... Fechei um olho de cada vez e descobri que não via nada com o meu olho direito...
A primeira reacção que tive foi fazer as malas e regressar a Lisboa para estar mais perto de hospitais e especialistas, no geral. Procurei por testemunhos idênticos para tentar perceber o que se passava. Num fórum inglês, encontrei imensas pessoas que falavam de uma perda súbita de visão em apenas um olho e chamavam-lhe neurite óptica. Pelos testemunhos, percebi que existiam pessoas que já tinham recuperado a visão e outras estavam a passar por uma lenta recuperação. Fiquei aliviada e nem reparei no endereço do fórum (que continha a expressão ms - multiple sclerosis), afinal havia esperança de voltar a ver do meu olho direito!

Após o almoço de dia 1 de Janeiro, fui para as urgências do Hospital Santa Maria (atenção: se sofrerem de sintomas semelhantes, dirijam-se imediatamente ao Hospital, não esperem horas sequer, mais tarde fiquei a saber que, por detrás destes sintomas poderiam estar outras causas, ainda mais graves, e que se não tivesse chegado a tempo, podia não haver nada a fazer!).
A inscrição e a triagem foi rápida. Recebi fita amarela mas nem estavam muitas pessoas para oftalmologia, pelo que também não demorou muito até à consulta. Fiz os exames típicos e quando me sentei na cadeira para ler as letras apenas com o olho direito, não via praticamente nada, nem as letras gigantes! Fui enviada imediatamente para a emergência de neurologia e para uma TAC. Engoli em seco e, assim que saí do consultório de oftalmologia, chorei baba e ranho. Não sei explicar o porquê mas tive um intuição muito forte que sofria de EM...

Depois de horas de espera por falta de organização e de comunicação entre especialidades (pois esperavam por mim, sem saberem onde eu estava e, ao mesmo tempo, eu não era chamada para lado nenhum, apesar de estar na sala de espera que me indicaram) fiz os exames básicos de neurologia e a TAC. Nos primeiros, a neurologista disse que aparentemente estava tudo bem e que sem outros exames para analisar não podia concluir mais. Quando voltei a ser chamada para oftalmologia, o médico já tinha os resultados da TAC e disse que teria de fazer duas ressonâncias: uma ao cérebro e outra às órbitas - mas que só as podia marcar posteriormente, numa consulta.

Não esperei pela consulta no hospital, assim que consegui vaga, fiz as ressonâncias no privado. Quando recebi o relatório delas, só chorei. Entre todo o texto com imensas palavras técnicas, que não fazia ideia o que queriam dizer, percebi que tinha várias lesões no cérebro, tanto do lado esquerdo, como no direito e que, duas dessas, tinham um tamanho considerável. O relatório dizia, ainda, que as lesões eram compatíveis com uma doença desmielinizante - para quem não sabe o que isso significa, a EM era, sem dúvida alguma, uma possibilidade.

Da última vez que me dirigi às urgências (foram 3 no total), já levava o relatório e as ressonâncias. Fui vista por uma oftalmologista - tinha recuperado cerca de 55% da visão direita (fiquei muito feliz, existem relatos de pessoas que demoram anos a recuperar!!!) e os resultados das ressonâncias foram passadas a um neurologista numa discussão entre médicos a que não assisti. Até então, entre todas as consultas e exames que tinha feito, ninguém me tinha dito o que eu tinha, só havia uma certeza interior minha. Nenhum médico queria falar mas eu puxava sempre pelo assunto da EM... Diziam para eu não pensar nisso, podia ser apenas uma situação isolada de perda de visão com outra explicação qualquer...

Mas isso não me descansava e eu continuava a procurar informação. Encontrei a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM). Lá vi que para o diagnóstico de EM fazem-se 3 tipos de exames:
  • Ressonâncias
  • Punção lombar 
  • Potenciais evocados
Sabendo isto, depois da conversa entre médicos, ao voltarmos para a consulta, perguntei-lhe se não iria fazer uma punção lombar. Ela - penso que admirada com a pergunta pois, se calhar, pensava que alguém já me tinha falado com mais pormenor do que se estava a passar comigo - disse que isso só se fazia quando havia dúvidas e que eu não precisava fazer... Parte de mim sentiu um alívio, alguém já sabia o que se estava a passar comigo! E eu insisti, "Não vou fazer punção lombar porque não há dúvidas sobre o que tenho?", ao que me respondeu "exacto". E eu, de volta, "Então não há dúvidas que tenho o quê? EM?" e, finalmente, uma resposta: "Sim"... e explicou-me ainda que as minhas ressonâncias pareciam fotocópia de imagens de livros técnicos sobre a doença.
 
Dia 31 de Janeiro conheci, finalmente, o neurologista que vai acompanhar a evolução da doença. Falámos um pouco sobre a EM, os tratamentos que existiam para evitar que a doença progredisse de uma forma rápida - ainda não há cura para esta doença - e até quebrou um mito que eu tinha lido. Afirmou que os doentes de EM podem e devem praticar exercício físico, nem que seja pela distracção! O único caso em que não é aconselhável é quando a doença já está muito avançada. Eu, aliviada, voltei a praticar Yoga em casa.

Pensei muito sobre se deveria partilhar o que se tem passado comigo, escrever sobre esta doença e exames que tenha feito, etc. Se me devia expor tanto e foi isto que concluí...

Desde que recebi esta notícia, e apesar de ter uma rede de suporte muito boa, o meu companheiro, pais, irmão e amigos, já passei e passo por várias emoções: medo, solidão, frustração, impotência e tenho e tive dúvidas, muitas! O fórum da SPEM está um pouco abandonado, o site onde encontrei mais informação é inglês e, afinal, a EM não é uma doença rara!
Mais, mesmo que quem leia estas palavras, não sofra desta, cada vez mais, neste mundo tão stressante, sofremos ou somos muito próximos de alguém que sofre de alguma doença, digamos, "chata". E eu acredito que se partilharmos informação, podemos ajudar-nos mutuamente!

Então, vamos Regressar em Força?
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