17 de dezembro de 2012

Olá! Eu sou a Sara e ...

Depois de escrever ontem sobre incorporar o conceito de simplificar como estilo de vida, fui procurar alguns significados relacionados com a palavra simples. Encontrei isto:

Simplificar: Tornar mais fácil de compreender, de fazer ou de viver; tornar mais simples.
Simplificação: acção ou resultado de simplificar; acto ou efeito de tornar menos complexo ou menos complicado.
Simplista: Que simplifica. Pessoa que tende a tomar as coisas pelo seu lado mais simples.


Poderá parecer um paradoxo mas sei que algumas coisas vão ser muito complicadas de simplificar. Simplificar uma divisão poderá ser fácil ou pelo menos fácil de perceber como lá chegar. Todos nós sabemos o que é uma divisão organizada, conseguimos fechar os olhos e imaginá-la, sabemos o que temos de fazer para tornar um quarto desorganizado num espaço mais limpo, mais simples.

O meu verdadeiro desafio vai ser simplificar o meu pensamento.

Nunca vos contei aquilo que se segue, aliás, ao longo da minha vida, partilhei-o com pouca gente...

Eu “sofro” de uma perturbação de ansiedade conhecida como distúrbio de pânico. Tudo começou quando tinha 13 anos e foi complicando-se até à situação em que me encontro agora: não saio sozinha de casa para “longe” e, para mim, “longe” significa dar uma volta ao quarteirão. Quando era mais nova pensei que estava a ficar louca, não percebia o que me estava a acontecer e pensei que se contasse a “verdade” iriam internar-me num hospício. Tentava então esconder tudo o que sentia e fui alimentando um terror de ser “descoberta”. O meu maior medo era ficar sem a minha família, sem os meus amigos e não poder estudar mais.

Olhando para trás sei que o melhor que podia ter-me acontecido era precisamente ser “descoberta”. Assim talvez me explicassem o que estava a acontecer comigo e que a solução para o meu problema não era nada de tão extremista como eu temia. Para além disso, talvez se tivesse tido um apoio adequado desde cedo talvez o problema não se tivesse complicado tanto.
À medida que fui deixando de conseguir fazer coisas, fui perdendo a confiança em mim mesma. Por sua vez, essa perda de confiança fez-me recuar ainda mais e este ciclo foi sendo auto-alimentado. 

Mas, mesmo assim, ao longo do tempo, já estive melhor (e nem quero pensar nos momentos em que já estive pior). Estive melhor quando fiz um esforço para ir saindo sozinha de casa, quando praticava desporto de forma regular (yoga e karate), quando me alimentava melhor e quando me focava nas coisas positivas. Entretanto já percebi que tomar esses bons momentos como certos e “relaxar” em algumas coisas é um dos maiores erros que posso cometer.
Partilhado tudo isto (e que peso que me saiu de cima!) talvez vos faça mais sentido quando digo que tenho como objectivo tornar-me positiva e acreditar em mim, em paralelo com simplificar a vida.


Sei que só assim vou conseguir! (e para perceberem a complicação em que isto se tornou na minha mente, neste preciso momento estou com medo que me achem maluca e que fujam daqui. Mas eu quero muito que desta vez seja diferente e, apesar dos meus medos, decidi arriscar e partilhar aquilo que sinto. Para vocês e para todos os que me conhecem pessoalmente e que entretanto me descubram aqui quando a entrevista for publicada no JN... Já nem consigo contar pelos dedos das mãos as vezes que puxei a gola da minha camisola para me esconder literalmente).

3 comentários:

  1. Olá...é a primeira vez que faço um comentario num blog embora seja uma leitora assídua. No entanto,e após esta partilha tão pessoal,não poderia deixar em branco. É de uma grande coragem assumir publicamente o seu problema, mas ja que esta identificado está meio caminho para ser superado! Desejo sinceramente que corra tudo melhor! E continue com o bom trabalho por estas andanças!

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    1. Muito obrigada pela força! Foi realmente difícil assumir o meu problema principalmente perante os outros mas explicaram-me que esse também era um obstáculo que tinha de ser vencido para deixar de alimentar os meus medos. No dia-a-dia ainda é difícil pôr em prática, mal dou por mim já estou a tentar esconder mas estou a fazer um esforço para quebrar este hábito.

      Obrigada pelo comentário,
      Beijinhos

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  2. És muito corajosa em assumir esse "desafio" na tua vida, que pode ser muito limitante. Também tenho dificuldade em controlar a ansiedade e ainda estou a começar a aprender a lidar com ela mas sei que é algo que nos pode prejudicar das mais variadas formas e atingir proporções que não imaginávamos possíveis na nossa vida. Actividades muito básicas ou triviais tornam-se quase uma tarefa impossível de concretizar. Penso que a mente influencia muito e o facto de nos mantermos ocupados e sem tempo para "análises" pode ajudar muito a seguir em frente e superar este estado de espírito. Força!

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